A APN divulgou em Agosto do ano passado um estudo que revelava que existiam apenas 52 nutricionistas nos 356 centros de saúde de Portugal continental. Os recentes dados da APN indicam ainda que apenas Santarém não dispõe de qualquer nutricionista nos centros de saúde, sendo que Lisboa, Évora, Beja e Portalegre apenas têm um profissional. Em declarações à Lusa, a presidente da APN, Alexandra Bento, congratulou-se com o facto de as direcções dos centros de saúde estarem sensibilizadas para a necessidade da criação de consultas de nutricionismo, mas lamenta a inexistência de mais contratações. “O aumento do número de especialistas nos centros de saúde é reduzido face às necessidades”, frisou Alexandra Bento. Para a nutricionista, os números falam por si, uma vez que a obesidade continua a crescer, assim como as doenças que lhe estão associadas. Na sua opinião, a população está também mais sensibilizada para o problema da obesidade, “tem mais consciência, mas daí até mudar os seus hábitos vai um hiato”. Daniela, de 22 anos, conseguiu emagrecer 14 quilos em cerca de nove meses, através da consulta de nutrição disponibilizada pelo centro de saúde de Leça da Palmeira, em Matosinhos. “Apareceu em Maio de 2005 na consulta, mas não estava muito entusiasmada. A idade avançou e em Setembro de 2007 voltou mais convencida, tendo agora, nove meses depois, menos 14 quilos e um Índice de Massa Corporal (IMC) normal”, referiu à Lusa a nutricionista Tânia Magalhães. Daniela, que expressa felicidade e não quer emagrecer mais, aprendeu a gostar de vegetais, à excepção dos grelos, “que são muito maus”, aprendeu a comer a horas certas e a ler os rótulos das embalagens, para verificar as percentagens de gordura e açúcar dos alimentos. “A Daniela é um caso de sucesso, mas nem sempre é assim”, referiu a nutricionista, lamentando, por exemplo, o caso dos dois utentes que atendeu antes da adolescente, “que se portaram mal”. Tânia Magalhães fez um balanço “positivo” dos resultados obtidos na sua consulta, salientando, no entanto, que a obesidade é uma doença “crónica, ou seja, depois de instalada não tem cura, sendo necessário realizar um controlo (de peso) constante”. O centro de saúde Leça da Palmeira pertence à Unidade Local de Saúde (ULS) de Matosinhos, onde os utentes da consulta de nutrição são na sua maioria mulheres (60 por cento) e cuja maioria apresenta uma obesidade grau I, ou seja, mais do que um simples excesso de peso. Para a nutricionista da ULS, o grande problema do combate à obesidade está nas pessoas, que não têm força de vontade para seguir uma alimentação equilibrada. “As pessoas ficam muito tempo na fase de contemplação, que é quando já perceberam ter o problema mas não são capazes de pôr em prática um conjunto de medidas para o solucionar”, disse. Alexandra Bento não tem dúvidas que “parar o crescimento da obesidade só por si é já um ganho em saúde”, e que para isso é preciso apostar ainda mais na prevenção da doença. “Não chega dizer que são precisas equipas multidisciplinares nos cuidados primários de saúde”, defendeu, considerando que é fundamental dotar todos os centros de saúde de nutricionistas. “Não tenho dúvidas que se houvesse nutricionistas em todos os centros de saúde seria possível parar esta doença”. A presidente da APN defendeu ainda que as entidades empregadoras “podem e devem” ajudar os seus funcionários a melhorar a sua alimentação. “O local de trabalho pode auxiliar os trabalhadores, providenciando-lhes propostas mais saudáveis”, sustentou. Para a especialista, as pessoas obesas não mudam o seu comportamento “ou por inércia ou porque a meio onde estão não o proporciona”. Contactado pela Lusa, o coordenador da Plataforma Contra a Obesidade, João Breda, reconheceu que o número de nutricionistas é ainda reduzido, mas adiantou que está a ser feito um esforço para inverter a situação. “A Plataforma pretende dar resposta a médio prazo ao problema da obesidade”, disse, através da aposta na prevenção.
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Pão integral
Trata-se de uma variedade de pão, consumido, segundo alguns autores, desde a era pré-histórica. Nessa altura, por ausência de técnicas de refinação, este tipo pão era produzido através de grãos de cereais triturados, embebidos em água ou leite, que dava origem a uma massa que posteriormente era seca ao ar e depois cozida em pedras quentes, originando o pão como produto final.
Emagril
Produto: EmagrilEmpresa Responsável: NUTRIFLOR