• 22 de Maio de 2012
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Livro de Estilo do Público
Redacção do PÚBLICO adopta regras éticas mais exigentes

O modo de fazer jornalismo mudou muito nos últimos 15 anos. Essas transformações reflectem-se nos conteúdos do livro, sobretudo na actualização e sistematização dos princípios que regem a actividade dos profissionais de informação

A segunda edição do “Livro de Estilo” do PÚBLICO foi a forma escolhida para assinalar o 15º aniversário do PÚBLICO, que se cumpre amanhã – o primeiro número saiu para a rua no dia 5 de Março de 1990.

 

“Podíamos fazer apenas mais uma reedição do texto de 1989 [editado em livro pela primeira vez em 1997, encontra- se esgotado há muito tempo]. Mas quisemos ir mais longe – porque sentimos que tal era necessário, urgente mesmo”, escreve José Manuel Fernandes, director do PÚBLICO, no prefácio a esta segunda edição. Com efeito, o mundo mudou muito desde que foi escrita a primeira versão do livro. As rádios e televisões privadas firmaram-se no panorama dos “media”. No campo tradicional da imprensa ocorreram fenómenos – é o caso da grande diversidade de revistas de informação geral ou especializadas e do chamado “jornalismo cor-de-rosa”, por exemplo – que não eram de todo evidentes na viragem da década de 80 para os anos 90.

Uma das consequências mais importantes desta evolução é a agressividade acrescida do modo de fazer informação que, por sua vez, suscita novas e mais complexas questões do foro ético e deontológico. Neste contexto, não surpreende que os capítulos referentes às normas que regem a actividade profissional dos jornalistas do PÚBLICO surjam totalmente refeitos. Ao texto da primeira edição, integrando uma série de regras em seis capítulos, sucede agora uma sistematização mais precisa e incisiva de 125 “Princípios e Normas de Conduta Profissional”, que se apresentam organizados em quatro áreas temáticas (Princípios Gerais; Os Direitos dos Outros; O Exercício do Jornalismo; A Empresa).

Actualizações e novidades

Há mais matérias do livro que sofreram alterações profundas, em grande medida suscitadas pela própria experiência acumulada pelo jornal ao longo dos seus 15 anos de vida. É o caso, por exemplo, da informação referente ao estilo gráfico do PÚBLICO – um dos capítulos novos –, que conheceu em 2001 alterações de fundo da sua fórmula inicial.

Em outras áreas as mudanças representam, sobretudo, uma actualização tornada inevitável pelo passar do tempo. Estão nessas circunstâncias, por exemplo, as matérias relativas ao alfabeto do PÚBLICO, topónimos e regras de escrita, assim como a actualização da informação (glossário) sobre as religiões. Para o aprofundamento das primeiras revelaram-se preciosos os contributos das várias secções do jornal, coordenadas pela responsável dos “copydesks”, Rita Pimenta. No segundo caso, recorreuse a colaboradores e especialistas externos. Há ainda que referir a colaboração de inúmeros leitores, que enviaram através da Internet (versão “on-line” do “Livro de Estilo”) críticas e sugestões de alterações, incluídos na presente edição. O leitor encontrará ainda na obra alguns capítulos novos. Um deles é o que diz respeito ao Publico.pt, que surgiu em 1995 com o lançamento do “site” do PÚBLICO na Internet, e que rapidamente se tornou uma referência no panorama dos “media”. Outra novidade, especialmente útil para os próprios jornalistas, é o capítulo sobre “Distâncias, áreas e outros números de comparação”. Mantém-se, a concluir, o corpo de anexos (Fichas da Lei; Projecto PÚBLICO na Escola; Regulamento do Conselho de Redacção; Estatuto do Provedor do Leitor do PÚBLICO; e o Código Deontológico do Jornalista), com os inevitáveis ajustamentos impostos pelo tempo e pelas alterações entretanto ocorridas (caso do novo regulamento do Conselho de Redacção do jornal, aprovado no final do ano passado).

Discussão interna

Com a publicação deste livro encerrase um processo iniciado em Setembro passado, quando o jornalista António Granado foi incumbido de coordenar a revisão do único livro de estilo da comunicação social portuguesa publicado. O primeiro passo foi compilar os documentos produzidos ao longo dos anos pelo Conselho de Redacção (CR) e pelos sucessivos provedores do leitor do PÚBLICO. Foram estudados em detalhe os livros de estilo da imprensa congénere internacional – “The Washington Post”, “The New York Times”, “El País”, “Le Monde”, entre outros. Um primeiro projecto do capítulo de regras deontológicas foi detalhadamente discutido pela Direcção Editorial e pelo CR, evoluindo para versões mais completas que foram seguidamente submetidas à apreciação do colectivo da redacção.

A jornalista e membro do CR São José Almeida realça a “aceitação sem reservas” das inúmeras propostas de alteração feitas pela estrutura que integra, consagradas no texto final. Cita, entre as mais relevantes, as que dizem respeito ao novo enquadramento da privacidade dos políticos, a proibição de os jornalistas aceitarem prendas acima de determinado montante (60 euros) e a identificação de viagens pagas (ver caixas). Outro elemento do CR, o jornalista Adelino Gomes, sublinha o “modo informal” como o documento foi sendo produzido, com muitas das ideias a surgirem no respectivo processo de elaboração. Entre as inúmeras actualizações consagradas na nova edição do “Livro de Estilo”, menciona as relativas às fontes de informação dos jornalistas, ao plágio e (proposta pelo jornalista Fernando Sousa) a integração dos valores civilizacionais consagrados na Declaração Universal dos Direitos do Homem.

O director do PÚBLICO, por seu lado, realça que o actual “Livro de Estilo” é “muito mais exigente”, consagrando “dezenas de princípios que antes não estavam lá” e que são fruto de uma intensa discussão interna. A utilidade da obra é, por isso, evidente: “Constitui um elemento fundamental de consulta para os que se interessam pelo jornalismo e ajuda a tornar os leitores mais exigentes com o jornal que fazemos. Espero que contribua para elevar os padrões de exigência da comunicação social portuguesa.”

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