Passados pouco mais de seis meses do inquérito
em que tratámos este tema, parece-nos interessante avaliar
qual o impacto que a história deste período impôs
ao nosso mercado.
Neste breve período, houve uma inversão
na tendência de descida na generalidade das Bolsas mundiais;
tivemos a chamada guerra do Iraque, as últimas previsões
do Banco de Portugal não são propriamente aliciantes,
mas o mercado dá mostras de uma, ainda que frágil
e lenta, retoma da economia.
Na época, Novembro de 2002, fizemos apenas
quatro questões, as quais as repetimos com as devidas adequações,
e acrescentamos uma, para efeitos comparativos. Relembramos que
o objectivo daquele (e deste) painel era perceber quais os principais
factores que têm vindo a influenciar negativamente, ou não,
os investimentos em TIs, e quais os projectos mais voláteis
à esta situação.
Comentários
No 10º inquérito
ao painel e-business, a IDC decidiu avaliar o impacto que a história
impôs ao nosso mercado e, seguindo a mesma estrutura do
inquérito realizado no final de 2002, tentamos perceber
novamente quais os principais factores que têm vindo a influenciar
os investimentos em TI (Tecnologias de Informação).
Passados pouco mais de seis meses, e ao perguntar
novamente quais os três principais inibidores dos gastos
em TI, verificamos que os factores de ordem económica,
quer ao nível macro quer micro, começam lentamente
a ceder para questões específicas relacionadas com
o impacto dos investimentos em TI no negócio, mais concretamente:
a dificuldade em calcular o ROI. É curioso também
verificar que há um decréscimo (de 40% para 30%)
no número de respondentes que menciona os elevados investimentos
realizado nos últimos 3 anos como um inibidor dos investimentos.
A segunda questão tinha como objectivo analisar
quais os projectos/sistemas mais voláteis à situação
económica actual. Apesar de haver pequenos desvios face
ao inquérito anterior, continua a verificar-se que os projectos
mais inovadores, que na maioria das empresas se encontram em fase
de arranque, como é o caso das aplicações
móveis, eLearning e até mesmo o comércio
electrónico, são aqueles que apresentam maior volatilidade.
Em contrapartida, a infra-estrutura, segurança e aplicações
de gestão empresarial encontram-se entre os mais estáveis.
Seguindo com a inquirição, e apesar
de verificarmos neste inquérito um maior número
de respostas com indicação que o investimento em
TI iria manter-se ou aumentar em 2003 (de 65% para 81%) , quase
2/3 dos respondentes disseram que a aposta em novas soluções
tecnológicas inovadoras/emergentes (por oposição
a consolidar as suas tecnologias correntes) será reduzida
ou muito reduzida.
Ao analisar globalmente os resultados obtidos,
e apesar de haver uma percepção menos negativa da
situação económica, fica patente que o controle
de custos e a avaliação do impacto das TI nos objectivos
das organizações continuam a ser questões
críticas e cada vez mais perseguidas pelos actuais gestores,
tornando a avaliação do ROI dos projectos numa obrigação.
Paradoxalmente, verificamos que há uma enorme dificuldade
por parte das empresas em calcular o respectivo retorno dos projectos,
devendo portanto, ser utilizada uma metodologia que permita atender
a evolução da complexidade dos projectos, principalmente
no que toca aos benefícios intangíveis.