Humberto gosta de viajar e não abdica de sair com os amigos
28 de Outubro de 2003
Por Catarina Lázaro

“Não sei se eles perceberam o objectivo do meu trabalho; penso que ganhei mais por ser um trabalho diferente, com imaginação, do que pelo resultado físico que encerra.” Humberto Bento Ayres Pereira, vencedor do prémio Mário Silva — que todos os anos elege o melhor trabalho de Física — acredita que a sorte esteve do seu lado.
Humberto dedicou as férias da Páscoa a elaborar um trabalho de Matemática e outro de Física para apresentar ao júri. “Foi muito esquisito. Passar à fase final com o trabalho de Matemática para mim era um dado adquirido, mas afinal acabei por ganhar o de Física, que eu achava que não estava nada de especial comparado com o outro.”
Já no ano passado o irmão tinha ganho o prémio Bento de Jesus Caraça (Matemática) e recebido uma menção honrosa pelo trabalho de Física. Na altura, os professores do Colégio Cedros, em Gaia, onde os dois irmão estudavam desde o 1º ano, garantiam: “Para o ano há mais.” A premonição veio a concretizar- se com um trabalho sobre “Termodinâmica: uma nova pilha de combustível”.
Os 19,6 valores que Humberto tirou no exame de Física e o 20 no de Matemática foram o passaporte para participar nos prémios PÚBLICO/Gradiva, mas confessa que nem sempre foi aluno de 20. No 5º ano, recorda, ficou abaixo dos dez melhores.
A ideia para o trabalho que lhe valeu o prémio PÚBLICO/Gradiva, surgiu às quatro da manhã, numa festa em casa de um amigo. “Durante a tarde tinha estado a arrumar os livros do secundário e ao folhear o de Ciências da Terra e da Vida reparei numa página que tinha a foto de uma membrana. Aquela imagem não me saía da cabeça e de repente, a meio da conversa com um amigo, tive um ‘click': e se fizesse uma pilha de combustível com um tilacóide, tal como acontece com as membranas dos seres vivos, construindo um modelo aproximado ao que acontece na natureza?”
Com 19 anos, Humberto Pereira, aluno do 2º ano de Engenharia Electrotécnica e de Computadores na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, filho de uma médica e de um advogado, partilha em casa a sala de estudo com mais 12 irmãos. Considera-se “muito distraído”, ao ponto de se ter esquecido do aniversário durante o “inter-rail” que fez no Verão com uns amigos. Apesar de estudar todos os dias, não abdica de ir ao cinema, sair à noite com os amigos e ir a Serralves ver as exposições.
Quanto ao futuro, a resposta é dada com um sorriso: “Quero fazer investigação e morar numa cabana com vista para o mar. Não quero estar numa empresa e ter o peso todo da responsabilidade nas costas mas, se surgisse uma oportunidade, neste momento gostava de ir estudar para Boston, na melhor faculdade de engenharia do mundo, a MIT [Massachussets Institute of Technology].”
Já esteve na Argentina, onde participou nas Olimpíadas de Química, mas admite que a energia é a sua grande paixão. “Quero tentar melhorar o que já existe. As pilhas de combustível são uma novidade que pouca gente domina e que vai ser a energia do resto do século. Como as empresas que controlam este sector controlam o mundo, eu só tenho a ganhar ao investir nesta área.”
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