São estes 'AVE' que ligam Madrid a Barcelona a partir de 4ª feira
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MADRID E BARCELONA LIGADOS POR 'AVE' 4ª FEIRA
segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010
A inauguração da nova linha de AV Madrid-Barcelona, dia 20, vai constituir um êxito comercial que será um exemplo para a Europa.
Rui Rodrigues
Rrodrigues.5@netcabo.pt
A próxima quarta-feira, dia 20 de Fevereiro de 2008, será uma data histórica em Espanha por ser inaugurada a linha de Alta Velocidade (AV) entre Madrid e Barcelona. A distância de 625 Km será efectuada por comboio, numa primeira fase, em 2 horas e 38 minutos, tempo que poderá ser reduzido para 2 horas e meia. Nos próximos meses existirão 25 ligações por sentido mas, numa primeira fase, por falta de material circulante, só serão utilizados 17. Constituirá uma verdadeira revolução da mobilidade entre as duas maiores cidades espanholas.
No corredor Madrid-Barcelona serão utilizados 32 comboios de AV de longo curso com Velocidade máxima (Vmáx) de 350 Km/h e 330 Km/h que farão ligações directas e outros 24 comboios de AV Regional de Vmáx de 250 Km/h que ligarão as cidades intermédias de Guadalajara, Catalayud, Saragoça, Lérida, Tarragona (Réus).
No primeiro ano de exploração, a RENFE espera transportar 6,1 milhões de passageiros e atrair 50% do tráfego aéreo entre Madrid-Barcelona, que é a maior ponte aérea da Europa. Ao fim de 5 anos, espera-se que essa percentagem atinja os 85%. No mês de Dezembro de 2007, foram inauguradas as linhas de AV Madrid-Valladolid e Madrid-Málaga (comum à via Madrid-Sevilha desde Córdoba) o que vai possibilitar o funcionamento de uma verdadeira rede. Brevemente, existirão comboios de AV que ligarão Málaga a Barcelona sem parar em Madrid.
RAZÕES QUE JUSTIFICAM A CONSTRUÇÃO DA NOVA REDE
O país vizinho ainda está a pagar bem caro o erro cometido, em 1844, ao construir linhas férreas com uma bitola diferente da europeia. Aquela decisão teve graves consequências económicas e provocou um isolamento da Península Ibérica sendo o transporte ferroviário de mercadorias, para a União Europeia (EU), quase nulo. A alteração da bitola justifica-se para permitir a livre circulação das mercadorias da Espanha para a UE, o que não é possível com a actual rede, e uma total interoperabilidade, que é a capacidade de conectar os sistemas ferroviários dos diferentes países (bitola, sinalização, electrificação etc), o que facultará uma redução nos custos de exploração e respectivos equipamentos, a melhoria do ambiente e o aproveitamento das elevadas ajudas comunitárias, que poderão ascender a 80 % para este projecto.
A conexão à rede ferroviária europeia permitirá um acesso mais rápido e com menores custos aos grandes centros de consumo da Europa
Além do que já foi referido, existem outros factores a considerar nesta ligação europeia:
• Adaptação às normas e directivas europeias do transporte ferroviário
• Melhoria da competitividade da ferrovia, permitindo a entrada da iniciativa privada no sector.
• Criação de empresas para o transporte de mercadorias e, mais tarde, para passageiros.
• Criação de postos de trabalho através do aumento da procura do modo de transporte ferroviário.
• Redução da sinistralidade
IMPACTO SOCIOECONÓMICO
As maiores consequências e impacto que a nova rede ferroviária poderá induzir em Espanha são as seguintes:
• Criação de emprego durante a construção e exploração da nova Rede
• Criação de uma indústria ferroviária ligada às infra-estruturas, bem como para material circulante. Em 2001, foram encomendados cerca de 600 comboios e, actualmente, as fábricas deste ramo quase nem têm capacidade de resposta para tanta encomenda.
• Melhoria substancial da segurança, pontualidade e qualidade de vida
• Melhoria da eficiência e da competitividade do sistema produtivo.
Os investimentos na ferrovia, até 2010, irão induzir um aumento na produção nacional de 2,1% do PIB e do emprego correspondente a 200 mil postos de trabalho permanentes
A curto prazo, durante a fase de construção, serão gerados cerca de 90 mil empregos temporários por ano e 6 mil e 500 para a fabricação de material circulante. Como consequência da entrada em serviço das novas linhas estima-se, desde 2005 a 2025, uma poupança nos tempos de deslocação que representa, em termos económicos, uma verba de 34 mil milhões de Euros e uma redução da sinistralidade de 9 mil mortos e 88 mil feridos e uma melhoria energética e do meio ambiental que corresponde a 14 mil milhões de euros
CONSEQUÊNCIAS EM PORTUGAL
O ano de 2008 será o ano da Alta Velocidade ferroviária em Espanha, que vai começar a impressionar muitos dos portugueses que visitam o país vizinho. Como o tráfego aéreo entre Madrid e muitas cidades espanholas quase vai desaparecer, tal situação obrigará os passageiros, que iniciem viagem do aeroporto de Lisboa ou do Porto, a aterrar em Madrid para, de seguida, nesta cidade, em Atocha, tomar o comboio que ligará a todas as capitais regionais de Espanha. É o que provavelmente irá ocorrer para quem pretenda visitar, em Junho de 2008, a EXPO2008 de Saragoça (ver site www.expozaragoza2008.es). Ao contrário, se Lisboa já estivesse ligada à rede ferroviária europeia, qualquer passageiro poderia viajar comodamente de comboio, da capital portuguesa para todas as capitais regionais de Espanha, ou para Madrid. Para tal se verificar, bastaria prolongar a linha de AV desde Badajoz até ao Pinhal Novo, em 2010. Este troço de 180 quilómetros (km) será, provavelmente, o mais simples e barato de construir em toda a Europa, por atravessar uma região plana e de baixa densidade populacional. Provavelmente, o custo por Km será de 3 milhões de Euros e os 180 Km deverão atingir pouco mais de 540 milhões de Euros.
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